Ponto a Ponto

edição #23 · 18 de outubro de 2026

O que eu quero ser quando crescer

A gente faz essa pergunta pros filhos desde os quatro anos. Eu levei 49 pra responder a minha.

No sábado de manhã eu dei uma palestra pra profissionais do esporte, psicólogos e famílias. O título era “Ele não tem medo de perder o jogo, tem medo da volta pra casa”.

De tudo o que aconteceu ali, o momento que ficou comigo foi o começo. Quando eu comecei a falar pra tanta gente, veio uma emoção muito grande. Junto com ela, uma alegria enorme.

Voltei pra casa em êxtase. Lá na frente eu reafirmei uma frase que já disse outras vezes. Ela marcou muita gente na sala: aos 49 anos eu finalmente descobri o que eu quero ser quando crescer.

A pergunta que a gente faz pros filhos

A gente começa cedo. O filho tem quatro anos e alguém pergunta o que ele vai ser quando crescer. Bombeiro, astronauta, veterinário. Todo mundo acha graça.

Aos dez a pergunta continua a mesma, mas já vem com outro peso. Aos dezesseis vira quase uma cobrança: precisa escolher, o tempo está passando, todo mundo já sabe o que quer.

Eu respondi a minha aos 49. E hoje eu sei que a resposta chegou na hora certa. Chegou depois de três filhos, de muitos anos de casamento, de um livro escrito. Chegou quando eu tinha alguma coisa pra dizer a outros pais. Se ela tivesse vindo aos dezessete, eu ia chegar ali sem nada nas mãos.

Pai também cresce

Ninguém avisa, mas pai continua crescendo. A gente trata a nossa vida como coisa resolvida e a do filho como a única ainda em construção. Não é assim.

Filho aprende muito mais olhando o pai do que ouvindo o pai. Talvez essa seja uma das coisas mais bonitas que um pai pode mostrar: que dá pra descobrir algo grande sobre si mesmo em qualquer idade.

Quando o seu filho disser que ainda não sabe o que quer, talvez a melhor resposta não seja um conselho. Seja contar pra ele o que você ainda está descobrindo.

O que ficou na sala

No último slide tinha um QR pra cada pessoa deixar por escrito, sem nome, o que tinha ficado com ela.

Alguém escreveu: “A verdade com a qual você se expôs.”

Outra pessoa escreveu: “Sua experiência é possibilidade de reflexão e mudança.”

Eu fui lá pra ajudar outros pais. Voltei sabendo que eles também tinham me ajudado. Me confirmaram o que eu quero fazer daqui pra frente.

Se você chegou nesta semana

Bem vindo. Muita gente entrou aqui nos últimos dias. Eu fico muito feliz com isso.

Este é o meu espaço mais sincero com quem lê o que eu escrevo. Todo domingo eu sento e escrevo sobre o que vivi como pai na semana. Sem fórmula e sem receita. De pai pra pai.

Que bom que você está aqui.

A palestra inteira

Quem não estava na sala pode ler tudo no blog. O título é a frase que abre a palestra: seu filho não tem medo de perder o jogo, ele tem medo da volta pra casa.

Coloquei lá as três conversas de carro que eu li em voz alta, com os silêncios cronometrados. E as quatro coisas que cabem na mão pro sábado que vem.

a leitura desta edição

Seu filho não tem medo de perder o jogo. Ele tem medo da volta pra casa

O fim de semana inteiro é treinado. O saque, o aquecimento, o aperto de mão. A volta pra casa ninguém treina. E é o pedaço que ele vai lembrar.

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