edição #06 · 07 de junho de 2026 · edição especial
Esperei a segunda-feira pra te escrever com calma
Guto Miguel fez história em Paris, o Zverev enfim levou um Slam, e eu preciso fazer uma retratação.
Você esperava esse e-mail no domingo, eu sei. Mas foram tantos acontecimentos na semana que eu preferi esperar a segunda-feira, deixar a poeira baixar e escrever com calma. E que semana. Quantas coisas incríveis aconteceram.
Começo pela que mais me emocionou: parabéns ao Guto Miguel e à equipe dele. Primeiro brasileiro campeão de juvenil em Roland Garros. Uma conquista gigante e histórica. Um moleque de Goiânia que ainda outro dia assistia ao Djokovic pela TV, fã declarado do Fonseca, levantando o troféu em Paris. E que brilhante foi também o Leonardo Storck. É lindo ver aquele backhand clássico de uma mão. Ele fez parte da equipe da Copa Davis junto com o meu mais velho em 2024 e os dois fizeram a final do Banana Bowl naquele mesmo ano. Um menino adorável e trabalhador.
Também não dá pra deixar passar: o Alexander Zverev enfim conquistou o primeiro Grand Slam da carreira. Ele vem da geração do Dominic Thiem e do Daniil Medvedev, e sempre se criou em volta dele aquela expectativa do título que não vinha. Veio. E mereceu. Na minha opinião, ele já podia ter sido campeão lá em 2022, naquela semifinal equilibradíssima contra o Nadal, em plena Philippe-Chatrier, quando torceu o tornozelo daquele jeito feio. Eu chorei naquele dia, de verdade. Ver ele levantar a taça agora teve gosto de justiça.
E preciso te contar uma coisa que não é confortável, mas que eu não ia deixar de fora. Esta semana eu fiz a minha primeira retratação pública. Na edição passada eu escrevi sobre os números do João Fonseca puxados do Tênis Integrado e, no caminho, citei nomes de outras crianças. Do jeito que ficou, soou como se eu tivesse menosprezado esses meninos, dado um enfoque negativo só porque eles ainda não apareceram no circuito profissional. Não era isso que eu queria dizer, mas foi o que o texto comunicou, e o efeito é o que importa. Tirei o texto do ar e pedi desculpas. Cada criança tem o seu tempo e o seu caminho, e quem mais deveria saber disso sou eu, que escrevo justamente sobre isso aqui toda semana. Fica o registro e o meu pedido de desculpas.
Pra fechar numa nota boa. Neste fim de semana acompanhei a do meio num torneio no São Bernardo Tênis Clube. Foi muito especial ser abordado por umas seis pessoas me parabenizando pelo livro. Uma mãe me contou que ainda estava lá por causa de uma leitura que fez há algumas semanas. O filho dela tinha perdido. Em outros tempos, ela teria ido embora logo depois da derrota. Mas dessa vez decidiu ficar, almoçar com outra família de pais de tenistas, aproveitar a jornada e as boas conexões. Eu achei isso simplesmente demais. É exatamente disso que se trata.
E a gente continua. Não deixe de acompanhar o meu trabalho e de recomendar o livro pra quem precisa. Já estamos produzindo a segunda edição e as traduções pro inglês e pro espanhol. Muito obrigado a vocês pelo apoio. De coração.
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