Ponto a Ponto

edição #04 · 23 de maio de 2026 · edição especial

O Thomas levantou o primeiro

Sábado, em Kursumlijska Banja. Sete meses depois da lesão. Três torneios desde o primeiro como profissional.

Hoje a edição é mais curta. E é a única que eu queria escrever esta semana.

Sábado passado, em Kursumlijska Banja, na Sérvia, o Thomas levantou o primeiro troféu profissional da vida dele. ITF M15, saibro, ao lado de Pablo Aunion, companheiro de treino na academia. Final 6/3 e 6/3 contra um alemão e um colombiano. Quatro vitórias seguidas até o título.

O pai aqui está feliz. Muito feliz. Eu vibrei como vibram os pais que ficam roucos no terceiro game. Vibrei longe, por mensagem, mas vibrei.

Era o terceiro torneio dele como profissional. Ele tinha começado a semana sendo eliminado no qualificatório, ainda brigando pra entrar de verdade no circuito. Saiu campeão.

Eu fico pensando no caminho que cabe atrás dessas quatro vitórias.

Em outubro do ano passado o Thomas lesionou o punho. Ficou quatro meses parado. Voltou a treinar em janeiro, ainda na Espanha, ainda longe de casa. Reapareceu no circuito, segurou a primeira eliminação, e quando voltou a ter chance de entrar em quadra, ganhou o torneio.

O tênis é difícil. Mais difícil do que parece quando aparece em manchete. Um detalhe que o jornalismo esportivo geralmente não conta: o prêmio desse título foi 400 euros. Ainda descontados os impostos. Não é um milhão de dólares. Não é dez mil. São 400 euros que não pagam a passagem que levou ele até a Sérvia. Não pagam o hotel da semana. Não sustentam atleta nenhum. Quem joga nesse degrau joga pelo ponto no ranking, pelo aprendizado, pela próxima quadra. Quem banca um atleta no começo de carreira é processo, casa que apoia, e teimosia.

A régua nunca foi o troféu. A régua era o que ele ia fazer entre outubro e maio, com a raquete apoiada na parede.

O troféu veio. Mas o que importa é o que aconteceu antes.

Daqui a oito dias o nome dele entra no ranking da ATP pela primeira vez. Quinze pontos. Vai ser estranho ver o nome dele numa lista de profissionais. Vai ser estranho não ser mais o pai de um juvenil. Mas é isso. Os ciclos terminam, outros começam, e eu sigo aprendendo na arquibancada, agora europeia.

fonte

Thomas Miranda ergue primeiro troféu profissional na Sérvia · TenisBrasil